Essa pergunta chega no nosso WhatsApp quase toda semana, e ela é legítima: por que pagar R$ 3.500 num wallbox se tem um de R$ 1.200 no marketplace, e portátil de 7 kW por R$ 600?
Vamos começar pela resposta que a gente dá no WhatsApp, sem rodeio: a gente instala, sim. Se você já comprou ou quer comprar, a instalação é nossa e a garantia da instalação é nossa do mesmo jeito. O que a gente não faz é recomendar. E abaixo está exatamente o porquê, para você decidir com a informação na mesa em vez de decidir no escuro.
O problema não é o preço. É o que não dá para verificar
Quando você compra um equipamento que vai ficar ligado oito horas por noite puxando corrente quase cheia, dentro da sua garagem, colado na sua casa, existem quatro coisas que precisam ser verdade. Num equipamento de marketplace sem procedência, você não consegue confirmar nenhuma das quatro.
1. A proteção interna de 6 mA em corrente contínua
Esta é a mais importante, e quase nenhum anúncio barato menciona. A eletrônica de bordo do carro pode gerar uma componente contínua na corrente de fuga, e essa componente cega o dispositivo diferencial comum, que deixa de enxergar a fuga e de proteger quem está encostado no equipamento.
Por isso a ABNT NBR 17019 trabalha com duas soluções: carregador com detecção interna de 6 mA em corrente contínua, aí a instalação leva diferencial Classe A, ou carregador sem essa detecção, aí a instalação obrigatoriamente leva diferencial Classe B, que é mais raro e significativamente mais caro.
A ironia da economia: quem compra o carregador barato que não declara essa proteção acaba tendo que colocar o dispositivo caro na instalação. E se não colocar, a instalação está fora de norma.
2. O selo que aparece no anúncio
Vale saber de dois fatos, porque eles mudam a leitura de qualquer anúncio:
Não existe certificação INMETRO obrigatória para carregador de veículo elétrico no Brasil. O próprio INMETRO analisou o tema e decidiu não regulamentar por ora. Ou seja, um selo de INMETRO estampado num anúncio de carregador não é a comprovação que o comprador imagina que é.
E a Anatel não certifica segurança elétrica. Ela certifica produtos de telecomunicação e de radiofrequência. Um selo da Anatel num anúncio de carregador não diz absolutamente nada sobre o equipamento aguentar corrente contínua por oito horas sem aquecer.
Isso não significa que todo anúncio esteja mentindo. Significa que o selo não serve de prova, e você não tem como verificar. Quando a especificação técnica não declara as proteções, uma por uma, e com número, a ausência é a informação.
3. Quem conserta quando quebrar
Aqui está o limbo que quase ninguém antecipa. Equipamento importado sem representação no Brasil, vendido com marca branca por um lojista que é revendedor e não fabricante, não tem esquema elétrico, não tem firmware, não tem peça de reposição e não tem quem abra.
Não é má vontade de assistência técnica: é impossibilidade material. Sem o esquema do circuito e sem a peça, ninguém conserta. O equipamento vira sucata na parede, e você compra outro.
É o mesmo limbo que a gente já conhece de carregadores fornecidos por algumas montadoras: quando falham fora da garantia, não existe caminho de conserto.
4. A qualidade que você vê quando abre
Essa parte é observação de campo, nossa, em equipamento que já veio parar na nossa mão: plástico fino, montagem simples, placa com o mínimo de componente possível. Não é conspiração, é matemática. Num equipamento que custa um terço do preço, alguma coisa foi retirada. E o que se retira primeiro é o que não aparece: componente de proteção, dissipação de calor e margem de projeto.
O portátil de 32 A: por que nenhuma marca séria vende
Este é o caso que mais aparece, e ele merece capítulo próprio. Aparecem no marketplace portáteis anunciados como 7 kW, 32 A, com plugue industrial, por menos de mil reais. Parece o negócio do século: metade do preço de um wallbox, mesma potência.
Faça uma pergunta simples: por que a Intelbras, a WEG e a ABB não vendem isso?
Elas têm tecnologia, escala e rede de assistência. Se um portátil de 32 A fosse uma boa ideia, elas teriam. Olhe onde elas param:
| Equipamento | Corrente máxima | Plugue de entrada |
|---|---|---|
| Intelbras, portátil Mini, 3 kW | cerca de 13 A | tomada comum |
| WEG WEMOB Easy, portátil | ajustável de 6 a 20 A | Tipo N de 20 A, o padrão brasileiro |
| Portáteis entregues por montadoras com o veículo | até cerca de 13 A | tomada comum |
| Portátil de marketplace | 32 A anunciados | plugue industrial |
A razão técnica é calor. A eletrônica de um portátil de alta potência é praticamente a mesma de um wallbox, só que espremida numa caixa do tamanho de uma fonte de computador, pendurada no cabo. O wallbox tem circuito mais bem dimensionado, componentes separados e ventilação pensada, e mesmo assim esquenta. Calor é o que mais reduz vida útil de eletrônica de potência. Num bloco selado e pequeno, trabalhando no limite todas as noites, a conta não fecha.
E tem a parte que ninguém pensa antes de comprar: a tomada padrão brasileira, da ABNT NBR 14136, vai até 20 A. Um portátil de 32 A precisa de plugue industrial, que não existe em casa nenhuma. Ou seja, para usar esse equipamento você vai ter que fazer uma instalação elétrica dedicada de qualquer jeito, com circuito exclusivo, condutor dimensionado e proteções.
A economia evapora aí. Você vai pagar a mesma instalação e vai ficar com um equipamento sem garantia, sem assistência e trabalhando no limite térmico. O portátil barato deixou de ser alternativa ao wallbox e virou só um wallbox pior, pendurado no cabo.
Quem roda muito, como motorista de aplicativo, é quem sente primeiro: a recarga é diária, longa e no limite. É onde esse equipamento falha mais cedo.
As três marcas que a gente indicaria
Por experiência de campo, no mercado brasileiro: Intelbras, WEG e ABB. Não por marketing, mas pelo que importa quando dá problema: fabricante com presença no Brasil, assistência técnica acessível, peça de reposição e especificação técnica publicada de verdade.
Nós fornecemos exclusivamente Intelbras, e a página explica o critério. As outras duas ficam aqui porque a lista honesta é essa, não porque a gente vende.
Onde o barato faz sentido, com todas as letras
Se o seu uso é esporádico, se você roda pouco e quer um portátil para deixar no porta-malas como emergência, um equipamento simples resolve e não tem drama nenhum nisso. Portátil de baixa corrente, usado de vez em quando, é outro regime de trabalho.
O que não recomendamos é usar equipamento sem procedência como o seu ponto de recarga de todo dia. Aí a conta muda, e ela não fecha.
O que a gente faz se você comprou mesmo assim
Instala, com o mesmo padrão. E faz duas coisas a mais, que valem dizer:
- Confere o manual antes, para saber se o equipamento declara detecção interna de 6 mA em corrente contínua. Se não declarar, a instalação vai de dispositivo diferencial Classe B, como a ABNT NBR 17019 exige, e isso entra no orçamento.
- Testa a instalação com um carregador nosso na entrega. Se o seu equipamento falhar depois, você já sabe que a instalação está boa e que o problema é dele.
A garantia da instalação é nossa. A do equipamento, quem compra escolhe de quem vai ser, ou se vai ter alguma.
Mandar o modelo do meu carregador para conferir
Perguntas frequentes
Vocês instalam carregador comprado em marketplace?
Instalamos, com o mesmo padrão e a mesma garantia de instalação. O que não fazemos é recomendar. Antes de fechar o escopo pedimos o manual, porque precisamos saber se o equipamento declara detecção interna de 6 mA em corrente contínua: se não declarar, a instalação leva dispositivo diferencial Classe B, que é mais caro, e isso entra no orçamento.
Aquele portátil de 7 kW e 32 A do marketplace funciona?
Funciona, e a pergunta melhor é por quanto tempo. A eletrônica de um portátil de alta potência é quase a mesma de um wallbox, espremida numa caixa do tamanho de uma fonte de computador, e calor é o que mais reduz vida útil de eletrônica de potência. Repare que nenhuma marca séria vende isso: o portátil da Intelbras é de cerca de 13 A e o da WEG vai até 20 A. E tem o detalhe prático: a tomada padrão brasileira vai até 20 A, então um equipamento de 32 A exige instalação dedicada com plugue industrial, e a economia evapora.
O anúncio diz que tem selo do INMETRO e da Anatel. Isso garante alguma coisa?
Menos do que parece. Não existe certificação INMETRO obrigatória para carregador de veículo elétrico no Brasil: o próprio INMETRO analisou o tema e decidiu não regulamentar por ora. E a Anatel certifica produto de telecomunicação e radiofrequência, não segurança elétrica. O que vale é a especificação técnica declarar as proteções uma por uma, com número. Quando ela não declara, a ausência é a informação.
Qual a marca de carregador que vocês indicam?
Por experiência de campo no mercado brasileiro: Intelbras, WEG e ABB. O critério não é marketing, é o que importa quando dá problema: fabricante com presença no Brasil, assistência técnica acessível, peça de reposição e especificação publicada. Nós fornecemos exclusivamente Intelbras, e as outras duas estão nesta lista porque a lista honesta é essa.
E se o carregador barato quebrar, tem conserto?
Na maioria dos casos, não. Equipamento importado sem representação no Brasil, vendido com marca branca, não tem esquema elétrico, firmware nem peça de reposição disponíveis. Não é má vontade da assistência: sem esquema e sem peça, ninguém conserta. O equipamento vira sucata na parede.
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