Você já parou para pensar que o carregador do seu carro trabalha oito horas ou mais por noite, puxando corrente quase cheia, com você e sua família dormindo em cima? Nenhum outro equipamento da sua casa faz isso. O chuveiro liga dez minutos. O ar-condicionado desliga sozinho. O carregador não.
Essa é a razão pela qual instalação de recarga tem norma própria, e a razão pela qual vale olhar de perto a que você já tem.
O carregador é a parte que aparece. A instalação é a parte que decide se ele vai durar e se ele é seguro.
Na maior parte dos atendimentos que a gente faz, o carregador não falhou por defeito de fábrica. Ele falhou por causa da instalação: material de baixa qualidade, dimensionamento errado, proteção incorreta, aterramento fora de condição, ou execução por quem não é especializado em recarga veicular.
Por isso, quando alguém chega com um carregador que parou, a primeira coisa a fazer não é trocar o equipamento. É olhar o que está alimentando ele.
Se o seu disjuntor está desarmando
É o sintoma mais comum, e ele quase nunca é do carregador.
Disjuntor que desarma durante a recarga costuma indicar circuito subdimensionado para uma carga que fica ligada por horas, ou um circuito que está sendo compartilhado com outras coisas quando deveria ser exclusivo.
Dispositivo diferencial que desarma é outra história, e tem sete causas prováveis. Elas estão listadas mais abaixo, com o procedimento para descobrir qual é a sua.
Se o seu carregador parou de carregar
Antes de concluir que o equipamento tem defeito, três coisas precisam ser verificadas.
O aterramento. Carros elétricos verificam as condições da instalação antes de liberar a recarga. Se o veículo não encontrar o aterramento em condição adequada, ele simplesmente não inicia o carregamento. É uma das causas mais frequentes de “o carregador parou” que na verdade não é o carregador.
As proteções. Um dispositivo com vida útil esgotada, ou de classe inadequada para recarga veicular, pode atuar sem motivo aparente ou deixar de atuar quando deveria.
As conexões. Conexão frouxa aquece. Conexão que aquece aumenta a resistência. Resistência maior aquece mais. É um ciclo que se agrava sozinho e que a câmera térmica enxerga antes de qualquer pessoa.
Se o conector, o cabo ou o quadro está aquecendo
Este é o sintoma que não espera.
Aquecimento em ponto de conexão indica que ali existe mais resistência do que deveria, e isso tem três origens comuns: conexão mal executada, condutor subdimensionado para a corrente que está passando, ou terminal inadequado para a seção do cabo.
Uma instalação de recarga trabalha com carga alta e contínua, várias horas seguidas, quase todas as noites. É exatamente o regime em que um ponto de aquecimento tem tempo de se agravar.
Se você percebeu cheiro diferente, marca de escurecimento, plástico deformado ou calor perceptível ao toque no quadro ou no conector, não é caso de esperar para ver.
Se o seu carregador vai ser substituído
Momento ideal para revisar a instalação, e por um motivo simples: o equipamento novo vai ser ligado exatamente na mesma infraestrutura que atendeu o anterior.
Se o carregador antigo apresentou defeito e a causa estava na instalação, instalar o novo sem revisar é repetir o problema com um equipamento mais caro.
Quando não há defeito nenhum, e a revisão vale mesmo assim
Existe um cenário que quase ninguém considera, e ele é o mais importante desta página.
A instalação está funcionando. O carro carrega todas as noites. Nada desarmou, nada esquentou de forma perceptível, nada deu problema.
E ainda assim vale verificar, por três motivos.
Primeiro, porque a diferença entre uma instalação premium e uma improvisada nem sempre aparece no primeiro dia. Ela costuma se manifestar em poucos meses ou em um ou dois anos de uso, quando o material já foi submetido a ciclos suficientes.
Segundo, porque as proteções envelhecem. Um dispositivo de proteção contra surtos absorve sobretensões até se esgotar, e quando se esgota ele para de proteger sem avisar, a menos que alguém olhe a janela indicadora. Um dispositivo diferencial tem vida útil e mecanismo que pode travar. O teste mensal do botão de teste existe justamente por isso.
Terceiro, porque instalação de terceiro raramente vem com histórico. Quem comprou um imóvel com carregador já instalado, ou contratou alguém que não deixou registro, não tem como saber o que está dentro do eletroduto nem qual a classe do dispositivo no quadro.
O que a gente verifica
- Medição de aterramento com terrômetro, com o valor registrado
- Medição termográfica com câmera térmica, procurando pontos quentes e risco de aquecimento nas conexões e nos dispositivos
- Verificação das proteções, incluindo a classe do dispositivo diferencial, a existência e o estado do DPS, e o dimensionamento do disjuntor
- Verificação das conexões, com reaperto onde necessário
- Verificação da alimentação e do funcionamento geral do sistema
- Substituição de componente simples, quando aplicável, já dentro do valor do serviço
O alcance, escrito com clareza: verificamos a fundo tudo que é acessível, ou seja, quadro, proteções, conexões, aterramento, alimentação, carregador e trajeto aparente. Trechos embutidos em parede ou dentro de eletroduto fechado são avaliados pelo comportamento elétrico e pela termografia, sem puxar cabo nem desfazer infraestrutura, porque isso é outro tipo de serviço, leva horas e tem um valor bem diferente.
O que você recebe: se encontrarmos problemas, defeitos ou algo que exija readequação, registramos em foto e enviamos para você com a explicação do que precisa ser feito.
Os sete motivos pelos quais o dispositivo diferencial desarma
Este bloco existe para você poder investigar antes de chamar alguém. Em boa parte dos casos, você mesmo descobre onde está o problema.
- Circuito com fuga de corrente. É a causa mais comum, e a que o dispositivo foi feito para encontrar.
- Forro de gesso com iluminação. Neutro ou condutor de retorno encostando no montante metálico do forro.
- Equipamento com fuga interna. Chuveiro é o caso clássico. O dispositivo está certo, o equipamento é que está com problema.
- Neutro encostando no terra em algum ponto da instalação. Acontece quando os dois foram decapados juntos e um fio toca o outro dentro de uma caixa.
- Borne do neutro com folga no barramento. Conexão frouxa gera comportamento errático.
- Dispositivo em curto ou com vida útil esgotada. Tem vida útil, como qualquer componente.
- Umidade na instalação. Circuitos externos, jardim, área descoberta e piscina.
Como descobrir qual é o seu, em cinco minutos
- Desligue todos os disjuntores individuais do quadro.
- Religue o dispositivo diferencial. Ele deve permanecer ligado.
- Religue os disjuntores um a um, com calma.
- O circuito que fizer o dispositivo desarmar de novo é o problemático.
Se ele desarmar com todos os disjuntores individuais desligados, o problema está antes, no próprio dispositivo ou na alimentação dele.
Esse procedimento não resolve a causa, mas localiza o circuito. E saber onde está o problema encurta o atendimento e barateia o conserto.
O que costuma estar errado em instalação feita por quem não é da área
Cinco causas concentram a maior parte do que a gente encontra:
1. Material de baixa qualidade. Cabo comum no lugar de cabo com dupla isolação, dispositivo de classe inadequada, DPS de corrente de descarga insuficiente para a região.
2. Dimensionamento errado. Seção de condutor adotada por hábito e não por cálculo, sem considerar a distância real nem os fatores de correção.
3. Proteção incorreta. O caso mais comum é o dispositivo diferencial Classe AC, que detecta apenas fuga em corrente alternada. O veículo elétrico trabalha em corrente contínua, e a fuga também é contínua. Diante dela, o Classe AC perde sensibilidade. Ele não protege menos em geral: tem um ponto cego exatamente na falha que mais importa nesse tipo de instalação.
4. Aterramento fora de condição. Aterramento ausente, insuficiente, ou com neutro e terra combinados no mesmo condutor, arranjo que a norma não admite no circuito de recarga justamente porque impede o dispositivo diferencial de funcionar como deveria.
5. Execução por quem não é especializado em recarga veicular. Um bom eletricista residencial resolve quase tudo numa casa. Recarga veicular tem norma própria, a ABNT NBR 17019, e um regime de operação que nenhuma outra carga da residência tem.
O investimento
A Revisão Técnica de Segurança é orçada conforme o tipo de instalação, monofásica ou trifásica, e o valor é fechado com a proposta enviada após a visita técnica. Pix ou em até 18 vezes no cartão, com os encargos da operadora.
Para dimensionar: repor um carregador queimado fica entre R$ 3.000 e R$ 8.000, e refazer infraestrutura mal executada passa disso. A revisão existe para que nenhuma dessas duas contas chegue até você.
Pedir o valor da revisão no WhatsApp
Se a revisão apontar necessidade de readequação
A revisão mostra o que está acontecendo. A readequação é o que corrige, e ela é orçada à parte, com o que for realmente necessário, nunca por pacote fechado.
Os itens que mais aparecem:
| Item | O que resolve |
|---|---|
| DPS Classe II, com a corrente de descarga adequada à região | Proteção contra surtos ausente ou esgotada |
| Dispositivo diferencial Classe A | Substituição do Classe AC, que não é aceito em recarga veicular |
| Disjuntor termomagnético curva C | Proteção subdimensionada ou de curva inadequada |
| Cabeamento de interligação e alimentação das proteções | Ligações internas do quadro refeitas com material adequado |
| Cabo de conexão do quadro até o carregador | Trecho final substituído quando o existente não atende |
| Tomada de 20 A protegida pelo mesmo sistema | Ponto de apoio para carregador portátil |
Os terminais entram como cortesia sempre que a gente troca um componente. O cabeamento de interligação é material com custo e tempo real de execução, e por isso aparece destacado, e entra apenas quando a revisão mostra que é necessário.
Quando a readequação for de cabeamento ou de infraestrutura, a proposta complementar chega em até 4 horas.
Uma palavra sobre documento formal
Se você precisa de um documento assinado para apresentar a seguradora, a condomínio ou na venda do imóvel, isso é outro serviço.
O motivo é honesto: assumir responsabilidade formal por execução de terceiro exige abrir a instalação inteira e conferir cada trecho, o que leva horas e tem um valor bem diferente. Não dá para assumir por amostragem.
Se for o seu caso, fale com a gente que montamos a proposta específica.
Como agendar
Mande pelo WhatsApp o que está acontecendo, com duas fotos: uma do quadro de distribuição aberto e uma do carregador instalado. Com isso conseguimos entender o cenário antes da visita.
Se o seu carregador apresentou defeito, diga também a marca e o modelo.
Um carregador que funciona não é a mesma coisa que uma instalação segura. A revisão existe para que as duas frases sejam verdadeiras na sua casa, e para que você nunca precise descobrir a diferença numa madrugada.
A verificação em campo inclui testar a instalação com um carregador nosso, para constatar se o problema está na instalação ou no equipamento, antes de qualquer encaminhamento para assistência.
Agendar a revisãoFalar no WhatsApp
Perguntas frequentes
Meu carregador parou de funcionar. É defeito do equipamento?
Nem sempre, e na maior parte dos atendimentos não é. As causas mais comuns estão na instalação: aterramento fora de condição, proteção de classe inadequada, conexão com aquecimento ou circuito subdimensionado. Carros elétricos verificam as condições da instalação antes de liberar a recarga e não iniciam o carregamento quando o aterramento não está adequado, o que faz parecer defeito do carregador.
O que é verificado em uma revisão?
Medição de aterramento com terrômetro, medição termográfica com câmera térmica em busca de pontos quentes, verificação das proteções e da classe de cada dispositivo, verificação e reaperto das conexões, e verificação da alimentação e do funcionamento geral. Tudo que é acessível é verificado. Trechos embutidos são avaliados pelo comportamento elétrico e pela termografia, sem desfazer infraestrutura.
Meu dispositivo DR fica desarmando. O que pode ser?
Sete causas concentram a maior parte dos casos: circuito com fuga, neutro ou retorno encostando em montante de forro de gesso, equipamento com fuga interna, neutro encostando no terra em algum ponto, borne do neutro com folga no barramento, dispositivo em curto ou com vida útil esgotada, e umidade na instalação. Para localizar o circuito, desligue todos os disjuntores individuais, religue o dispositivo diferencial e religue os disjuntores um a um.
Vale revisar mesmo com tudo funcionando?
Vale em três situações: instalação feita por terceiro sem registro do que foi usado, imóvel comprado com carregador já instalado, e instalação com mais de um ano sem nenhuma verificação. O dispositivo de proteção contra surtos se esgota sem avisar, e a diferença entre uma instalação bem feita e uma improvisada costuma aparecer depois de alguns meses de uso, não no primeiro dia.
Vocês consertam o carregador?
A verificação em campo inclui testar a instalação com um carregador nosso, para constatar se o problema está na instalação ou no equipamento. Constatado que é o equipamento, o encaminhamento é feito conforme a marca. A empresa não faz manutenção de bancada e não recebe equipamento no escritório.
Vou trocar meu carregador. Preciso revisar a instalação?
É o melhor momento para fazer isso. O equipamento novo vai ser ligado na mesma infraestrutura que atendeu o anterior. Se o carregador antigo apresentou defeito e a causa estava na instalação, instalar o novo sem revisar repete o problema com um equipamento mais caro.
Vocês emitem documento da revisão?
O que a revisão entrega é o registro em foto do que foi encontrado, com a explicação do que precisa ser feito. Documento técnico assinado, para apresentação a seguradora ou a condomínio, é outro serviço, com escopo e valor próprios, porque exige abrir a instalação inteira e conferir cada trecho.
Mande as fotos e receba a análise do especialista.
Foto do quadro elétrico, do medidor e do ponto onde o carregador vai ficar, mais um vídeo curto do trajeto entre eles. Com isso o especialista já avalia o seu cenário e te passa um valor mais preciso, sem visita e sem compromisso.
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