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Wallbox Brasília
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7,4 kW, 11 kW ou 22 kW: Qual o Seu Carro Aceita

A pergunta costuma vir assim: qual carregador eu compro, o mais potente?

A resposta é contraintuitiva, e entender ela economiza dinheiro e evita frustração: o carregador mais potente pode carregar o seu carro mais devagar do que um mais simples. Não é erro de digitação.

Primeiro, duas configurações, e só duas

Brasília opera em sistema trifásico com neutro sólido aterrado, e isso dá dois valores:

  • 220 V entre fase e neutro
  • 380 V entre fase e fase

Na prática, uma instalação de recarga aqui é uma de duas coisas:

Configuração Condutores Tensão
Monofásica Fase, neutro e proteção 220 V
Trifásica Três fases, neutro e proteção 380 V

Existe também o atendimento bifásico, duas fases e neutro, previsto na norma de fornecimento da Neoenergia Brasília nas categorias B0 e B1. Ele aparece no padrão de entrada, mas não muda a conta do carregador: o circuito de recarga sai monofásico, em 220 V, ou trifásico, em 380 V.

O que vale insistir é outra coisa: a maior parte do conteúdo brasileiro sobre instalação elétrica foi escrita para rede de 127 V entre fase e neutro e 220 V entre fases. Em Brasília é 220 V entre fase e neutro e 380 V entre fases. Usar aquela referência aqui leva a dimensionamento errado.

O carregador de bordo: a peça que ninguém menciona na hora da venda

Todo veículo elétrico tem, dentro dele, um equipamento chamado carregador de bordo. É ele que converte a corrente alternada que vem da parede em corrente contínua para a bateria.

Esse equipamento tem um limite, e esse limite é o teto real da sua recarga em casa. Não importa quanto o wallbox na parede consegue entregar: se o carro só aceita 7,4 kW, é 7,4 kW que ele vai receber.

O caso que surpreende

Wallbox instalado Carregador de bordo do carro O que realmente acontece
Trifásico, 22 kW Trifásico, 11 kW Carrega a 11 kW
Trifásico, 11 kW Monofásico, 7,4 kW Carrega a 3,7 kW
Monofásico, 7,4 kW Monofásico, 7,4 kW Carrega a 7,4 kW

Olhe a linha do meio.

Um wallbox trifásico de 11 kW, instalado para um carro que tem carregador de bordo monofásico, usa apenas uma das três fases. Naquela fase, a corrente disponível é de 16 A, e isso dá cerca de 3,7 kW.

Ou seja: metade do que um wallbox monofásico de 7,4 kW entregaria, por um equipamento e uma instalação mais caros.

É por isso que a escolha começa no carro, não no catálogo.

A regra prática, e como conferir o seu

A regra geral: carro com bateria menor costuma vir com carregador de bordo monofásico. Carro com bateria maior costuma vir com trifásico. Mas isso é tendência, não é lei, e existem exceções em todas as marcas.

Como conferir com certeza, em dois minutos:

  1. Abra o manual do proprietário do seu veículo, na seção de recarga
  2. Procure pela potência máxima de recarga em corrente alternada, que costuma aparecer como AC, e não confunda com a potência de recarga rápida em corrente contínua, que é outra coisa e é sempre muito maior
  3. O número que estiver ali é o teto da sua recarga em casa

Se o manual disser 7,4 kW em corrente alternada, um wallbox de 22 kW não vai carregar mais rápido. Vai carregar igual, custando mais.

Mande a marca e o modelo do seu carro no WhatsApp que a gente confere junto com você.

O que muda na instalação, por configuração

Configuração Potência Corrente Cabo Disjuntor
Monofásico 220 V 7,4 kW 32 A 10 mm² Curva C 40 A, 1 polo
Trifásico 380 V 11 kW 16 A por fase 6 mm² Curva C 25 A, 3 polos
Trifásico 380 V 22 kW 32 A por fase 10 mm² Curva C 40 A, 3 polos

O dispositivo diferencial acompanha: bipolar em instalação monofásica, tetrapolar em trifásica.

Uma armadilha de vocabulário que confunde muita gente: quando alguém diz “minha casa é trifásica”, está falando da entrada de energia, e não do carregador. Casa trifásica pode receber carregador monofásico sem nenhum problema, e isso acontece o tempo todo, porque o que define é o carro.

Quanto tempo leva para carregar

Aqui é preciso um pouco de honestidade que o mercado costuma não ter.

A conta básica é a capacidade da bateria dividida pela potência efetiva de recarga. Uma bateria de 60 kWh, recebendo os 7,0 kW reais de um ponto monofásico em 220 V, leva cerca de nove a dez horas para ir de vazia a cheia, já contando as perdas da conversão.

Mas a recarga não acontece em velocidade constante, e é aqui que a maior parte das promessas de tempo se desfaz.

Aqui cabe desfazer uma confusão comum. A queda de potência acima de 80% que todo mundo já ouviu falar é um comportamento do eletroposto de corrente contínua, onde a bateria recebe potências altíssimas e o sistema precisa recuar na reta final. Na recarga em casa, em corrente alternada, isso praticamente não acontece: a potência é constante do começo ao fim, e é justamente por isso que o tempo de recarga doméstica é previsível.

Mesmo assim, tempo de recarga informado sem dizer de quanto para quanto não significa nada. Ir de 20% a 80% é uma coisa. Ir de 10% a 100% é outra.

A boa notícia, e ela muda a forma de pensar o problema: em uso doméstico, isso raramente importa. O carro fica parado de oito a doze horas por noite, e nesse tempo qualquer instalação bem dimensionada recupera muito mais do que a rodagem diária consumiu. A recarga em casa não compete com o eletroposto em velocidade. Ela compete em conveniência, e ganha.

Os modos de recarga, em uma passada rápida

A norma ABNT NBR IEC 61851-1 define quatro modos, e vale saber em qual você está:

Modo Onde aparece Proteção
Modo 1 Tomada comum, sem nenhuma proteção dedicada Nenhuma. Não recomendado
Modo 2 O carregador portátil que veio com o carro No próprio cabo, no dispositivo do meio
Modo 3 Wallbox instalado na parede Na estação, com comunicação entre estação e veículo
Modo 4 Eletroposto de recarga rápida Na estação, em corrente contínua

O que se instala em casa e em condomínio é o Modo 3. É o que tem proteção dedicada e comunicação, e é, junto com o Modo 4 de corrente contínua, um dos dois admitidos em área interna nas normas de bombeiro já publicadas em outros estados. O que essas normas vedam em área interna são os modos 1 e 2, tomada comum e carregador portátil.

Sobre o conector: no Brasil, o padrão consolidado em corrente alternada é o Tipo 2, de origem europeia, circular, com sete pinos. Em corrente contínua, o CCS2.

E o carregador portátil que veio com o carro?

Ele funciona, e tem lugar. Mas é importante entender o que ele é.

O portátil opera no Modo 2, com a proteção dentro do próprio cabo, e foi concebido para uso eventual e provisório. Ele exige uma tomada dedicada, com dispositivo diferencial de classe adequada e aterramento em condição, exatamente como o wallbox.

Um cuidado técnico que quase ninguém conhece: nos modos 1 e 2, não se deve usar a tomada em valores próximos ao nominal dela, pelo risco de redução de vida útil e de queima. O indicado é ficar em torno de metade da capacidade. Uma tomada de 20 A, portanto, não deve ser usada para puxar 20 A por horas seguidas, todas as noites.

E existe uma decisão que economiza dinheiro: a diferença de infraestrutura entre preparar para portátil e preparar para wallbox é basicamente a seção do cabo. Eletroduto, quadro e dimensionamento são os mesmos. Por isso, quem pretende instalar um wallbox mais adiante costuma sair na frente deixando a infraestrutura pronta desde já, em vez de fazer duas obras.

Como escolher, em três passos

1. Descubra o teto do seu carro. No manual, na potência de recarga em corrente alternada.

2. Verifique o que a sua instalação comporta. De nada adianta o carro aceitar 22 kW se o padrão de entrada não suporta a carga. Isso se resolve na avaliação técnica, e às vezes se resolve com ajuste de corrente, sem obra.

3. Escolha o menor número entre os dois. É ele que vai definir a sua recarga real.

E uma consideração que vale pensar com calma: se você pretende trocar de carro nos próximos anos, deixar a infraestrutura preparada para uma potência maior custa pouco agora e evita refazer o percurso depois. O cabo e o eletroduto são a parte que dura. O carregador e o carro são a parte que se troca.

Como continuar

Se você quer entender os critérios técnicos completos de uma instalação, a página sobre o que exigir de quem instala trata dos nove itens.

Se quer saber quanto custa no seu caso, a página de investimento tem o valor publicado, o escopo inteiro e o que muda de um caso para outro.

Descobrir a potência certa para o meu carro

Perguntas frequentes

Qual wallbox devo comprar, 7,4 kW, 11 kW ou 22 kW?

O teto é definido pelo carregador de bordo do seu carro, não pelo wallbox. Se o veículo aceita no máximo 7,4 kW em corrente alternada, um wallbox de 22 kW carrega na mesma velocidade que um de 7,4 kW. A informação está no manual do proprietário, na potência máxima de recarga em corrente alternada.

Wallbox trifásico carrega mais rápido?

Depende do carro. Se o veículo tem carregador de bordo trifásico, sim. Se tem carregador de bordo monofásico, um wallbox trifásico de 11 kW usa apenas uma das fases e entrega cerca de 3,7 kW, ou seja, metade do que um wallbox monofásico de 7,4 kW entregaria.

Existe instalação bifásica em Brasília?

Existe, sim: a norma de fornecimento da Neoenergia Brasília prevê o atendimento bifásico, duas fases e neutro, nas categorias B0 e B1. Ele aparece no padrão de entrada, mas não muda a conta do carregador: o circuito de recarga sai monofásico, em 220 V, ou trifásico, em 380 V. O que confunde é outra coisa: a maior parte do conteúdo brasileiro foi escrita para rede de 127 V entre fase e neutro, e aqui é 220 V entre fase e neutro e 380 V entre fases.

Minha casa é trifásica. Preciso de carregador trifásico?

Não. Casa trifásica é a entrada de energia, e não o carregador. O que define a configuração do carregador é o que o seu carro aceita. Casa trifásica recebe carregador monofásico sem problema nenhum, e isso é comum.

Quanto tempo leva para carregar em casa?

É a capacidade da bateria dividida pela potência efetiva. Uma bateria de 60 kWh, em um ponto monofásico de 220 V que entrega 7,0 kW reais, leva de nove a dez horas de vazia a cheia, já contando as perdas da conversão. Na recarga em casa, em corrente alternada, a potência é praticamente constante do começo ao fim: aquela queda acima de 80% que todo mundo comenta é comportamento de eletroposto de corrente contínua, não de carregador de parede. Em uso doméstico, com o carro parado de oito a doze horas por noite, isso raramente importa.

Posso continuar usando o carregador portátil que veio com o carro?

Pode, com uma tomada dedicada, dispositivo diferencial de classe adequada e aterramento em condição. O portátil opera no Modo 2 e foi concebido para uso eventual. Um cuidado que quase ninguém conhece: nos modos 1 e 2 não se deve usar a tomada perto do valor nominal dela, pelo risco de redução de vida útil, e o indicado é ficar em torno de metade da capacidade.

Qual conector é usado no Brasil?

Em corrente alternada, o Tipo 2, de origem europeia, circular e com sete pinos, que é o padrão consolidado no mercado brasileiro. Em corrente contínua, na recarga rápida, o CCS2.

Vale preparar a instalação para uma potência maior do que eu preciso hoje?

Costuma valer, e por um motivo prático: a diferença de infraestrutura entre preparar para portátil e para wallbox é basicamente a seção do cabo, e eletroduto, quadro e percurso são os mesmos. Como o cabo e o eletroduto são a parte que dura e o carregador é a parte que se troca, deixar pronto agora evita refazer o percurso depois.

Mande as fotos e receba a análise do especialista.

Foto do quadro elétrico, do medidor e do ponto onde o carregador vai ficar, mais um vídeo curto do trajeto entre eles. Com isso o especialista já avalia o seu cenário e te passa um valor mais preciso, sem visita e sem compromisso.

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